segunda-feira, 1 de março de 2010

Noite de um poeta



Ao cair da noite, as sombras do dia trazem a necessidade de uma taça de vinho. O por do sol é o estopim.  Sabores inéditos da realidade onde só filósofos e poetas se alimentam. Então vou ao aposento subterrâneo, como se fosse ao seu coração, e ao líquido de Baco junto-me. Agora? Fico rendido. Reserva assim, na adega de seu coração um bom sonho para  mim, nada de coadjuvante, galã. Um príncipe Valente. Sei, não é para tanto... talvez Sancho Pança! Mas se permita imaginar como antes não o fizera. Dê-me um pequeno espaço de teu coração, carinho. A noite, decorada no céu com suas estrelas, é o pano de fundo para as palavras que escrevo em maus traçadas linhas. Linhas que não sabem traduzir o que imagino, o que desejo. Linhas que são a estrada de minha perdição. De momento, imagine o cheiro masculino que exalo ao derreter-me por você. Entrega incondicional de paixão. Calor. Amor. Poetas vivem numa ponte entre a realidade e sua visão do universo das necessidades, ansiedades, paixões... Deixe esta noite embalar desejos retraídos, escondidos no pudor do medo. Tenha frio nas mãos, tremor nas pernas, suadouro. Tenha fogo no ventre, desejo. O vinho descendo, neste instante, pela garganta trêmula é o símbolo do calor de teu corpo aquecendo o meu. Noite não tem fim. O vinho sim.

0 comentários:

Postar um comentário