domingo, 4 de abril de 2010

A sedutora tempranillo

Almeida Junior, O importuno, 1898.


Eis que um dia o casamento teve fim, e com ele as verdades que cultivam um grande amor. Findou-se aquele compromisso estável com a misteriosa malbec, depois de ter deixado a exótica touriga nacional ou foi à selvagem syrah... É assim, se não estou apaixonado por uma, amo todas. É uma incorruptível tendência para o prazer. Quando me solto de seus colchões, depois de estar entre seus lençóis, tenho vontade de voltar. Hoje a rápida tempranillo me seduziu. Parecendo uma fêmea no cio, com aquele sorriso de frutas vermelhas, dopou-me. Viajo assim nas sensações, e entrego-me no extremo das emoções, pois necessito sempre voltar a um amor. Com a precoce tempranillo o aroma é direto, um nocaute de peso médio. Quando o corpo mira, não se sabe mais como voltar. Fácil de adaptar é independente, jovial, alegre e resolvida. Macia e aveludada é gostosa na boca. Envolvente como um morango recheado de caramelo. Também com este terroir que a esculpiu não poderia ser diferente. Suas lágrimas, ao deslizar em minha taça, possuem desejo de ser devorada. Seu olhar negro me ilumina, como um sorriso de uma canceriana. A simpatia é um convite para o pecado, fatal. Estou decidido, vou amá-la até que a última verdade acabe. Assim, nada de tango ou fado, só um flamenco para embalar nossos pecados. E haja compassos para absorver tanto sentimento, delicadeza. Tempranillo é sedutora, pura paixão coberta com uma textura de-li-ci-o-sa...

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