Almeida Junior, Saudade, 1899.
Gozei. Sim, gozei. Gozei não por sexo, foi por amor. Gozar por amor é sublime, poético. Goza-se sozinho, e é uma coisa exótica. Exótica como aquela que na boca pousa com ares de nobreza, como uma casta rainha. Antes proscrita, hoje sucesso recente. Intensa e explosiva é pura paixão. Simpática. Sua pele apesar de grossa é dourada, com sorriso solar. Tem ares de viajada, desejada. Muda de nome por onde anda, porém sempre prefere sua origem. Seu cheiro de desejo é floral, algumas vezes cítrico, mas sem amargor... Na brutalidade da vida de um homem vive uma deusa, vive uma luz ao outro lado do rio. Um bom homem assim rema pela vida em busca do sol, e o encontro num sorriso. Chove, mas as gotas não molham o brilho. Intensificam... Sempre me considerei um idiota e ingênuo. Hoje tive provas cabais, gozei com a touriga nacional.

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