quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sympósion em comédia


Muito fácil viver quando se tem o que beber, e se este líquido for o vinho o caminho torna-se prazer. Pretensão? Sim, pois o vinho dilata o tempo e asfalta a estrada.
Antigamente e nos dias de hoje este líquido precioso sempre é o combustível para alimentar conversas e amizades. O amigo Plat, melhor Platão, fazia boas reuniões em que as conversas eram capazes de distrair o tempo ali na Grécia Antiga. Tenho saudades das apresentações com músicas e danças feitas por escravas endiabradas (elas não bebiam). Coisa de arromba, da hora.
O vinho é a prova cabal que o tempo é contínuo canal de ligação entre a realidade visual e os sentimentos. O vinho leva a viver em quatro dimensões.
Reuniões ou encontros, seja lá o que for, são o culto as virtudes quando banhadas pelo vinho. Mas nem só virtude o vinho revela, tem as mais ridículas atitudes.
Tudo no inicio vem com carga formal de comportamento, mas aos poucos, um gole após o outro, o interior se expõe. A alma se revela límpida e cristalina, e tudo começa com sorriso de cumprimento.
Uma rodada na taça e os estágios de evolução vão se formando em cada um. O calor vai se espalhando pelo corpo, e quando menos se espera a face fica na cor de vinho rose. Aí, não se pode mais precisar quando às tontas atitudes começam. Neste momento fique atento, irá perceber vozes maiores nos cantos do encontro. Uma legião de surdos que se liberta.
O sorriso é sempre o azeite de oliva de toda esta salada que se desencadeia.
Não existe o momento certo de parada, a maioria perde do ponto descida.
Teorias se formam por chatos que são soltos; olhos ficam com labirintite; línguas ficam escorregadias na boca; palavras batem na parede da razão, escapam da boca; alguns cheiram a água que acompanha; terremoto se apresenta em lustres que balançam.
Desculpe se não me apresentei, meu nome é Baco.

 

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