terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Punk! A uva indígena de Roma.



Certo que o objetivo da aventura seria explorar o mundo do vinho na Itália, mas veja bem como as coisas podem ser estranhas nesta vida. Ao passar pela via benedetta, em trastevere, Roma, não pude imaginar que os sentidos poderiam me trair.
O aroma era de couro puro, com uma intensidade marcante que atrai a atenção mesmo para os mais experientes nesta arte. Corpo firme com tons negros, seus reflexos indicava uma acidez que poderia absorver a gordura habitante no corpo deste discípulo de Júlio César.
Fato é que se até Julinho foi morto no teatro de Pompeu, o que as passagens secretas de Roma podem fazer a um despreparado.
O visual possuía uma dúvida de escanear o tempo, não julgar. Deduzi que se tratava de uma uva indígena, coisa única da região. Daquelas que só um terroir específico pode nos mostrar.
Sabe de uma coisa, não tem jeito, essas coisas ocorrem em um lapso de tempo, e a primeira impressão é que vale, assim como as paixões. Roma é a cidade do amor em cada esquina, escadaria. Tudo é possível na cidade eterna, inclusive uma declaração espontânea de liberdade.
Como sou cético, usando o lado esquerdo do cérebro, parti para uma análise mais científica do que de poeta. Assim, o retro gosto se revelou em um gosto amargo, algo difícil de engolir.
Aquilo não tinha forma definida, nem mesmo Bernini seria capaz de consertar o que foi curvado pelo tempo, dobrado pela vontade. Seria uma das primeiras atrações para o Coliseu.
Até hoje não sei se aquilo era uma uva indígena ou caroço indigesto em forma de gente. Punk!

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